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Distúrbios de Aprendizagem

Dificuldades que surgem na infância

Denise Schmitt Garcia


A Educação Infantil e o Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano) podem ser considerados como um filtro na identificação de distúrbios de aprendizagem. É um período em que as habilidades são treinadas até que os alunos consigam obter formas de executá-las de maneira satisfatória. É durante esse processo de descobertas, que as crianças começam a manifestar determinados aspectos comportamentais e pedagógicos, que podem sinalizar alguma peculiaridade, dificuldade de aquisição de conhecimento ou adaptação a estilos de aprendizagem.  Esse período coincide com a alfabetização e, junto com a apropriação linguística, muitas características comportamentais que não eram percebidos pelos pais e professores começam a aparecer na criança. Vejamos algumas delas: Dificuldades na fala (atraso, gagueira, trocas); Trocas fonéticas (reconhecimento visual e auditivo); Problemas de coordenação motora; Dificuldade de memorização de letras e números; Dificuldades de tempo e espaço (não consegue encaixar, montar, sequenciar...); Falta de controle da energia e impulsividade excessiva; Dificuldade em seguir ritmos; Sono excessivo; Dificuldade em estabelecer interações sociais; Comportamentos atípicos para a idade, gritos e reações exageradas e fora de contexto; Dificuldade em entender comandos básicos; Dificuldade em compreender piadas, analogias e situações abstratas ou hipotéticas; Indisciplina extrema É importante lembrar que quando a criança nasce com baixo peso ou prematuramente, algumas dessas características tendem a ser notadas com maior frequência.

Além disso, para que um comportamento desperte qualquer tipo de preocupação, é preciso acompanhamento e persistência. Os sintomas não costumam acontecer de uma hora para a outra. É preciso perceber a constância de determinadas características em diferentes contextos da vida da criança. Dormir mais em uma semana, por exemplo, ou não entender uma piada por 3 ou 4 vezes, não significa que a criança tenha qualquer tipo de problema. Como diria a minha mãe: “Não procure pêlo em ovo”, que significa algo como: não procure problema onde não tem.

De fato, a chegada de uma “situação surpresa” em uma criança, acaba desestabilizando a estrutura familiar. Por isso, no intuito de desmistificar alguns desses distúrbios que “atrapalham” a vida escolar dos pequenos e das famílias, e não se enquadram em casos de doença; selecionei algumas características mais comuns para esclarecer e sugerir dinâmicas que aliviam sintomas e estimulam o desenvolvimento das crianças, considerando as dificuldades que surgem na infância.

Ao longo dos próximos artigos, vou abordar seis transtornos ou dificuldades: TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, Dislexia, Discalculia, Dispraxia, Disgrafia / Disortografia e DPA – Distúrbio no Processamento Auditivo Central. Mas o que significa cada um deles? TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade - Transtorno neurobiológico, que aparece na infância e acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Caracteriza-se por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. É chamado às vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção).

Dislexia - Dificuldade na aprendizagem da leitura e escrita; dificuldade no reconhecimento das letras e palavras e na pronúncia.

Discalculia - Deficiência de aprendizagem específica em matemática. Dificuldade em entender conceitos relacionados a números, símbolos ou funções matemáticas. Dispraxia - Principalmente, dificuldade na execução de movimentos. As partes afetadas são aquelas que se referem aos aspectos motores, verbal e espacial.

Disgrafia e Disortografia Distúrbios relacionados à escrita. Disgrafia é uma dificuldade relacionada à escrita, principalmente no que se refere à grafia e ao traçado. Disortografia é uma dificuldade na estruturação, organização e produção de textos escritos.

DPA – Distúrbio do Processamento Auditivo Central – Dificuldades de processamento do que se ouve com o que se entende. Está relacionado com a percepção, organização de informações recebidas e integração de estímulos auditivos com a compreensão. Afeta a memória, a atenção e as funções executivas.

É importante relembrar que nenhum dos distúrbios que falarei aqui refere-se a: doenças, síndromes, patologias ou características que remetam à limitação, incapacidade intelectual ou deficiência cognitiva.

No universo da Psicopedagogia ser diferente não significa ser menos! Pensar, se organizar e agir de maneira diferente dá muito mais trabalho! Portanto, essas crianças são guerreiras! E nos dias de hoje, compreensão, paciência e conhecimento são o que mais precisam para se desenvolverem de maneira plena e satisfatória.

De acordo com o Instituto NeuroSaber, estudos feitos por cientistas conseguiram perceber uma ligação nos diagnósticos que englobam alguns distúrbios de aprendizagem com os genitores da criança; ou seja, o histórico familiar diz muito sobre a probabilidade de a criança conviver com algum transtorno já manifestado por seus pais.

Como psicopedagoga, e não médica especialista, limito-me a oferecer, minha experiência adquirida no contato com as escolas, famílias e as dificuldades da infância. Sempre acreditei no potencial individual do ser humano que, dentro de suas singularidades, é capaz de aprender de diversas maneiras, em ritmos diferentes e, muitas vezes, completamente fora dos padrões apresentados pelas escolas convencionais.

Mas em se tratando de ambiente escolar, tudo o que é diferente causa resistência, necessidade de estudo, paciência e trabalho redobrado. Para mim, as crianças têm sempre a capacidade de aprender, mas será que temos a capacidade de ensinar de formas diferentes? Começaremos essa série falando um pouco mais sobre o TDAH, suas causas, características e atividades para diminuir os sintomas e estimular o desenvolvimento. Em outro momento, abordaremos os outros distúrbios citados acima, sempre com o pensamento de que, nesses casos, dificuldade de aprendizagem não é doença!

Atrapalha a vida escolar, mas não limita, ok?!



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