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TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

Denise Schmitt Garcia


Quando falamos em TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o que vem à cabeça é uma criança agitada, desatenta e que não obedece aos combinados, certo? É importante que os pais, professores e acompanhantes tenham em mente que o TDAH está muito longe de ser somente um traço comportamental, um desleixo ou preguiça. Na verdade, ocorre o contrário: o comportamento apresentado, seja ele hiperativo ou desatento, é o resultado da existência de uma dificuldade que atrapalha muito a vida da criança.

TDAH ou DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção) é um transtorno neurobiológico que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Caracteriza-se por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Não há consenso sobre a sua origem. Mas a ciência revela que se trata de uma síndrome heterogênea de origem multifatorial, integrando fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais (meio em que vive).

Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações na região frontal do cérebro, responsável pela inibição do comportamento, capacidade de prestar atenção, memória, auto controle, organização e planejamento. Outra frente de estudo, diz que, como qualquer transtorno comportamental, a situação se agrava quando a criança cresce em um ambiente desatento, hiper estimulado ou desorganizado. O que sabemos é que o TDAH é bastante frequente em crianças e adolescentes, e pode ser percebido, inicialmente, na escola ou em casa, através de uma observação cuidadosa com acompanhamento da rotina. • TDAH DESATENTO Esta categoria é marcada pela desatenção da criança na escola, em casa e na execução de determinadas tarefas que exijam algum tipo de concentração. Essas crianças costumam apresentar também dificuldade na percepção do tempo e dispersão em pequenas tarefas de rotina. Esquecem o que estão fazendo, independente se realizam a mesma tarefa todos os dias. Costumam não acabar o que foi começado, não fazem muitos questionamentos, são mais tímidas, tem bastante dificuldade de organização e se distraem com qualquer estímulo externo. São extremamente criativas e possuem uma imaginação muito fértil.

• TDAH COMBINADO As crianças com TDAH combinado costumam manifestar tanto os sintomas de déficit de atenção como os de hiperatividade. Sendo assim, podem alternar ora desatento ora hiperativo. Não conseguem aguardar a vez; são crianças inquietas, agitadas e cometem as mesmas falhas, sem relacionar a vivência atual com uma experiência semelhante anterior. Essas crianças têm extrema dificuldade em se manterem sentadas em salas de aulas, não conseguem assimilar as informações na mesma velocidade dos colegas e precisam de estímulos diferentes e mais dinâmicos para acompanharem o grupo. Ao mesmo tempo, estão sempre pensando em algo, tem inúmeras possibilidades e um pensamento imaginário acelerado.


O TDAH NÃO É DOENÇA, PORTANTO NÃO TEM CURA.

A criança com TDAH, provavelmente será um adulto com TDAH, porém adaptado à sua realidade e dificuldade. É importante ajudá- la a descobrir em si mesma, as melhores maneiras de aprender, assimilar conteúdos e manter o foco. Quando essas descobertas acontecem, o indivíduo se adapta à sua própria maneira de perceber o mundo e assim, a aprendizagem flui com mais tranquilidade. Pessoas com TDAH também podem apresentar características de outros transtornos psicológicos, que não estão relacionados à aprendizagem, mas que exercem influência no resultado. Neste momento faço um recorte somente para as questões da aprendizagem.


COMO FACILITAR A APRENDIZAGEM?

Em primeiro lugar, o aluno com TDAH, assim como os outros que apresentam qualquer dificuldade, deve se sentar na frente em sala de aula. Quanto mais próximo ao professor, menos energia precisará gastar para manter o foco e a concentração no que está sendo explicado.

Para reter a atenção, as aulas precisam ser dinâmicas e práticas, com linguagem simples e objetiva. É interessante que a criança consiga perceber pistas para fixar o conhecimento, através dos sinais, gestos e entonação de voz do professor, por exemplo.

Estímulos audiovisuais ou sensoriais, têm grande poder de memorização e, por isso, são opções melhores do que cópias, textos e aulas expositivas.

O desafio é manter uma criança com TDAH participativa e motivada durante todo o tempo. Ela precisa se sentir incluída, e para isso, precisa acompanhar o ritmo de aula do grupo. Para fazer parte.

Em casa, estimule a pesquisa, ajude na busca de informações extras dentro do mesmo conteúdo apresentado na escola, instigue a curiosidade... Quando a criança com TDAH é elogiada por alguma contribuição, ela tende a demonstrar mais força de vontade. Se ela perceber que pesquisou mais a fundo e ganhou reconhecimento por isso, ela se sentirá mais estimulada a continuar produzindo.

Nunca a diminua ou menospreze a sua capacidade. Lembre-se da dificuldade extra que ela enfrenta todos os dias para se enquadrar nos padrões mais comuns de ensino. Tenha paciência!

Organização, rotina e antecipação de fatos também são sempre úteis para as crianças com essa característica. Estabeleça regras claras, pois crianças com TDAH têm muita dificuldade em ter noção do limite; do que podem ou não podem fazer, falar... Costumo fazer um quadro com, por exemplo: hora para atividades escolares, para o lazer, para o banho, atividades extra curriculares e outras coisas importantes do cotidiano.

Nas provas escolares, como as crianças com TDAH têm muita facilidade em se dispersarem, é interessante solicitar que a escola grife a pergunta objetiva dentro de um texto mais amplo, não faça “pegadinhas” e seja mais tolerante com o tempo de prova. Devem ser avaliadas não somente as questões escritas, mas também respostas orais.

É importante que o professor leia as questões. Muitas vezes, o aluno com TDAH compreende melhor o que está sendo pedido quando ouve a questão lida pelo professor e não por ele mesmo.

Solicite que a escola tenha um método de avaliação diferenciado, considerando o progresso geral do aluno, e não só as provas objetivas. Trabalhos, pesquisas, envolvimento, postura em sala, empenho, participação... são ferramentas amplas e valiosas de avaliação.

A criança hiperativa apresenta grande possibilidade de causar certa agitação nas pessoas e no ambiente em que ela está inserida. Muitas vezes, ela não consegue parar na primeira tentativa e isso acaba gerando confusão no ambiente escolar. Ela não faz de propósito! Existe mesmo uma inquietação que é difícil de ser auto contida.

Invista em atividades físicas, com gasto de energia. Além de ser uma excelente maneira de estabelecer uma certa disciplina, estimula a consciência corporal, estabelece desafios individuais e faz com que a criança comece perceber o seu próprio funcionamento.

É fundamental o acolhimento e o incentivo da família para que a criança com TDAH se sinta inserida na sociedade em que vive, faça amigos, tenha confiança em si mesma e consiga aprender a lidar com as diferentes e difíceis situações que irá enfrentar ao longo dos anos. Tornar-se resiliente ao TDAH é um processo demorado, mas completamente possível, quando estimulado.

Aconselho sempre as famílias para que procurem a ajuda de psicoterapeutas, psicopedagogos e pessoas que trabalham os aspectos comportamentais da criança. Com apoio multidisciplinar, fica mais fácil o entendimento da família, da escola e de todos que acompanham a rotina desses pequenos aprendizes.


BRINCADEIRAS QUE ESTIMULAM O APRENDIZADO DE CRIANÇAS COM TDAH


Jogo da Memória O Jogo da Memória é um excelente exercício para estimular o raciocínio, o pensamento, a memorização, a identificação de figuras, o estabelecimento do conceito de igual e diferente, a orientação espacial, a concentração, entre outros. Mas lembre-se: É preciso ter paciência com as crianças hiperativas em momentos de jogo.

Pinturas de pedras, telas e desenhos. Esse tipo de atividade permite que as crianças com TDAH se expressem por outros meios que não a comunicação verbal ou escrita. Estimula a criatividade, oferece gasto de energia psíquica e permite inúmeras possibilidades de realização. Além de contribuir para a organização e respeito de limites espaciais.

Massinhas de modelar As atividades com massinhas, biscuit ou argila colaboram com a autoconfiança, pois não há nenhuma abordagem adequada ou errada ao utilizá-las. E a criança pode explorar todo o seu potencial criativo sem barreiras

Blocos de montar São facilitadores na aprendizagem do controle da paciência, concentração e persistência. Além disso, o brincar com blocos permite a construção, a destruição e a reconstrução de algo em um curto espaço de tempo. É uma brincadeira prática e objetiva que desperta o interesse pela versatilidade de opções.

Jogos de regras Jogos de tabuleiro, com manual de instruções, são excelentes brincadeiras para que as crianças com TDAH se sintam empenhadas em cumprir e seguir regras pré determinadas. Procure os jogos mais rápidos. Crianças muito intensas tem muita dificuldade em participar de partidas com mais de uma hora de duração.

Quebra cabeça Também estimula a organização e a persistência. São excelentes instrumentos para estimular a concentração e o foco.


Brincar de ler

É sempre importante praticar a leitura com seus filhos. Escolha livros com histórias curtas, muitas ilustrações, letras grandes e frases curtas. Hoje temos muitos livros lúdicos e interativos. O importante é despertar o interesse das crianças e assim, estimular a atenção e a concentração.

O que é o que é? A adivinhação é responsável por estimular uma série de aspectos: pensamento lógico, o reconhecimento do todo por uma parte, a dedução, a atenção, a observação, a nomeação e a discriminação visual. Os pequenos podem descobrir, por meio dessa atividade, que poderão alcançar resultados satisfatórios, sobretudo se forem feitas perguntas bem objetivas.

Brincadeiras corporais e de ritmos Brincar de Morto-Vivo, Estátua, Mamãe falou, Esconde-esconde e outras brincadeiras corporais é fundamental para estimular a concentração e o controle da impulsividade. A criança precisa se conter, precisa esperar a vez, prestar atenção nos outros e assim, começa a se perceber e a se comparar com os outros de acordo com os resultados que obtém nas disputas.

CRIANÇA APRENDE SEMPRE

Muitas outras dinâmicas divertidas e interessantes para as crianças com TDAH podem ser encontradas no universo do brincar. O fato é: a criança aprende, sempre! Mas, precisamos respeitar o tempo, as individualidades, assimilar com mais facilidade as diferentes maneiras de aprendizagem, investir em novas possibilidades, aceitar a novidade, adotar novas ferramentas e ter um novo olhar para essa e outras questões da infância.

O TDAH é somente uma das dificuldades de aprendizagem e é tão presente e tão importante na vida das pessoas, que não pode ser tratado como uma simples distração ou desordem. Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), o TDAH atinge de 3 a 5% das crianças, e em mais da metade dos casos, persiste até a vida adulta, com sintomas mais brandos e já incorporados na rotina. É muita gente pensando diferente, não é mesmo?!

Por que não explorar mais todo este potencial criativo, ao invés de tentar moldá-los para o ritmo de trabalho convencional? O mundo precisa tanto de novas ideias, imaginação, hiper atividade e ação! Todas essas qualidades são pontos fortes para os indivíduos com características de TDAH.

Investir na infância com um olhar mais cuidadoso, mais aberto e livre de pré conceitos e pré julgamentos pode ser um caminho facilitador para começar a pensar e explorar as diferenças!