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  • Denise Personal Kids

A relação do Brincar nas diferentes etapas da Infância

Denise Schmitt Garcia


Para iniciar esse texto, proponho aqui um exercício: que idade tem a sua criança? Olhe para ela com um olhar mais profundo e não a observe com a idade que você gostaria que ela tivesse. Nossos filhos crescem e nós, às vezes, nem percebemos como mudaram tanto em tão pouco tempo.


Uma das melhores maneiras de nos relacionarmos com os pequenos é por meio das brincadeiras. O brincar nos permite compreendê-los melhor, nos torna mais próximos, nos dá liberdade e muita cumplicidade.


Mas assim como as caixas de brinquedos, que vem no rótulo a classificação etária, as brincadeiras também são divididas por faixas etárias. Contudo, esses limites não precisam ser considerados tão rigidamente se você estiver por perto, garantindo sempre a segurança das crianças.


O desenvolvimento infantil é variável, os interesses são diferentes e a sua participação, auxiliando na dinâmica do brincar, faz muita diferença no momento da escolha de uma atividade. Então, vamos pensar juntos sobre as nossas crianças e as atividades mais adequadas?


0 a 01 ano


O seu bebê não é tão indefeso quanto você imagina! Dê a ele espaço e segurança e garanto que você irá se surpreender com tudo o que ele é capaz de fazer.


Coloque um tapete grande ou lençol no chão e retire tudo o que oferece perigo como: vidros, mesas pontiagudas, produtos de limpeza, sacos plásticos, enfeites... Ofereça, um a um, instrumentos diferenciados para que ele explore as cores, o gosto, o formato e o som. Não precisa ser somente brinquedos! Nessa idade, tudo oferece atratividade! Tudo é novo e interessante para ser

explorado.


Saiba que, uma criança com esta idade, tem um tempo de atenção muito rápido. Não se assuste se você tiver que oferecer 10 itens em 10 minutos. O importante é ficar atento para perceber se ela conseguiu explorar o brinquedo ou material em sua totalidade.


Você pode improvisar chocalhos, objetos com texturas diferentes, figuras coloridas, tecidos para cobrir e descobrir objetos, amarrar balões nos pés e nas mãos, usar fitas coloridas... Não é preciso investir muito em brinquedos caros, mas lembre-se de esterilizar com álcool todas as propostas de brincar, pois nesta idade, a oralidade é predominante e praticamente tudo vai à boca.


1 e 2 anos


Os cinco sentidos ainda estão sendo descobertos. Continue investindo em texturas e possibilidades com materiais e brinquedos variados. Nesta fase, eles costumam não colocar mais objetos na boca, mas podem colocar no nariz, no ouvido ou até engolir. Por isso, pais e mães, fiquem atentos!!


Esta é uma idade de grandes descobertas e avanços motores. A criança começa a andar e assim, amplia sua visão e um novo mundo de exploração se abre ao seu redor. Fiquem atentos a pequenas quedas, pancadas ou acidentes. As crianças desta idade, ainda não entenderam direito o funcionamento de seus membros inferiores e superiores e, muitas vezes, são inconsequentes por conta desta imaturidade.


Costumam gostar de brinquedos de empurrar e puxar, montar e desmontar, brinquedos com sons e tudo o que pode ser carregado, arremessado ou derrubado. Bolas, balões, bolhas de sabão, carrinhos e blocos de montar são sempre uma grande curtição nesta etapa da infância.


2 a 4 anos


Além de estarem mais firmes e seguros com suas habilidades motoras, as crianças dessa faixa etária começam a misturar a fantasia com a realidade. É uma fase muito especial para eles e deliciosa para os adultos, que participam deste momento com os pequenos.


Já se expressam com mais facilidade e aumentaram bastante o repertório de palavras. As crianças são rápidas, estão sempre atentas e, absorvem do meio todas as informações possíveis: tanto as que deveriam quanto as que não deveriam! Portanto, tomem cuidado com o que dizem ou fazem! Elas prestam atenção nos detalhes, nas falas e até nas brigas. Nunca se esqueçam: pais e mães serão sempre os maiores modelos de seus filhos!


Com esta idade, elas gostam de bonecas, carros, livros, contos de fadas, heróis, os animais ganham papéis sociais, os brinquedos recebem nomes e tudo gira em torno de grandes ideias e fantasias.


A criança nesta fase não é mentirosa! Ela é fantasiosa!! Seu mundo se mistura com a fantasia e assim, ela vai dando significado ao mundo à sua maneira. Estão no auge do egocentrismo e tentam fazer com que tudo e todos realizem as suas vontades. A proposição de limites, com cuidado, sem autoritarismo começa a se tornar mais necessária e os pais têm um papel fundamental nesse processo.


5 a 7 anos


As crianças já podem ter mais autonomia, mas ainda precisam de cuidado e atenção individualizada. Elas se acham super capazes, super corajosas e super independentes. Estão migrando da fantasia para o mundo real e possuem ritmos diferentes de maturidade. Podem cometer erros inesperados para a idade cronológica, mas totalmente esperados para quem está em fase de transição.


Nesta fase, é preciso incorporar a responsabilidade escolar como um processo autoral. A criança precisa começar a arrumar a sua mochila, cuidar das lições de casa, organizar o lanche e estabelecer uma rotina que preserve noites de sono para que tenha melhor rendimento durante o dia. Criança cansada não produz e nem brinca com qualidade! E com essa idade, já querem dormir mais tarde, assistir o “último episódio”, jogar a última fase do jogo...


Brincar é fundamental para estimular a criatividade e as outras habilidades adquiridas até agora. Com a chegada dos seis anos, é o momento de investir nas atividades pedagógicas para consolidar algumas qualidades, como: autonomia, coragem, resiliência, sociabilidade e o próprio conhecimento.


Jogos de regras são importantes nessa fase para ajudá-los a aprender a respeitar, compartilhar, ceder, ganhar, perder e evoluir nos aspectos sociais e emocionais. Jogando, eles aprenderão a conter a ansiedade, a lidar com a frustração e a se enxergar como parte de um todo. O egocentrismo vai diminuindo e a criança começa a se inserir em grupos diversos. Este é o momento que se encerra a chamada primeira infância.


8 a 10 anos


Muitas coisas acontecem na vida de crianças de oito anos. Elas já não se consideram crianças e, ao mesmo tempo, não se sentem pré-adolescentes. É um período em que começam a reafirmar conceitos sociais aprendidos. Desafiam limites e precisam de muita clareza daquilo que podem ou não fazer dentro e fora de casa.


Já convivem em círculos sociais maiores e criam amizades e parcerias. Gostam muito de jogos de regras, mas podem apresentar ainda algumas dificuldades em respeitar opiniões diferentes da sua. Gostam do coletivo e já precisam se sentir pertencentes a determinados grupos.


A brincadeira, nesta fase, deve ter o objetivo de agrupar, cooperar e inserir e nunca segregar. Jogos de regras, competições, atividades físicas, desafios motores e brincadeiras de lógica costumam agradar.


Neste momento é importante auxiliar a criança a descobrir e estimular suas habilidades, valorizando-as. Umas são hábeis jogadoras – futebol, basquete, corridas; outras são mais intelectualizadas – xadrez, jogos de inteligência; há ainda as literatas e as artistas. É importante identificar as paixões e as preferências dos pequenos para então, incentivá-los. E eles costumam se ótimos em suas escolhas!


Nesta fase, já existem crianças mais “malvadas” e outras mais “tranquilas”. É interessante acompanhar as amizades, os programas, o tempo nas mídias sociais e o desempenho escolar.


Dificuldades escolares são frequentes e o bullying começa a aparecer com mais intensidade. Fiquem atentos!


10 a 12 anos


Entramos na Fase da pré-adolescência! Descoberta do corpo, hormônios se esquentando e se preparando para a grande festa da chegada da adolescência. A criança dessa idade muda muito! E isso parece acontecer de um dia para o outro!


Uns ficam mais mal humorados, outros mais reclusos, uns já se acham quase adultos, outros ainda fazem questão de conservar seus hábitos infantis... é o momento mais deliciado e tumultuado da infância, tanto para as crianças quanto para os pais e cuidadores.


Neste momento, é preciso ainda mais respeito à individualidade. Dar espaço para que os filhos, já “não tão pequenos”, consigam se expressar, se posicionar e se organizar em meio a tudo o que aprenderam com você e com o mundo até agora.


É um momento importante para que os pais consigam perceber os valores aprendidos, as angústias dessa fase de transição e as perspectivas e expectativas da criança daqui para frente.


É fundamental estar “por perto”, acompanhar, ouvir e observar a criança antes de criticar e tentar mudar o seu pensamento. As crianças nessa idade gostam de se sentirem consideradas, importantes e atuantes dentro e fora de casa. Precisam de limites claros que reforcem os valores aprendidos e os direcionem para os desafios que estão por vir. Sejam parceiros!


Autonomia e capacidade de realização são as palavras chave do fim desta fase, também chamada de segunda infância.


Jogos de estratégia, competitivos e repletos de desafios costumam agradar. Algumas opções são: Rummikub, Imagem & Ação, Jogo da Vida, Banco Imobiliário, War e Detetive.


Todas as fases da infância são importantes e deliciosas de serem vividas com intensidade e profundidade através da brincadeira! Aproveite cada uma delas junto com seus filhos e torne a sua vida mais colorida!